O verso do Meta!

O Facebook torna-se Meta, e Meta torna-se ainda mais perigoso do que o Facebook jamais foi. No rescaldo da mudança do Facebook, as opiniões negativas já se fazem sentir por este mundo fora.

Claro que há muitas coisas interessantes prometidas pelo agora Meta, que serão até socialmente úteis, mas o progresso tecnológico tem de ser equilibrado com a devida ética e cuidado!

O risco de projectarmos um mundo virtual segundo círculos viciosos, é enorme, e a verificar-se um domínio do Meta, esse novo mundo fica assente numa “meta espinha dorsal”; ou seja, o ADN do Facebook. Este desencadeará, em tempo mais rápido, o espelho da desigualdade e dúbios algoritmos.

A mentalidade do novo Meta é exactamente igual à mentalidade do velho Facebook. De que adianta mudar o nome e a tecnologia se a filosofia é a mesma?

Ao ver o evento da mudança do nome do Facebook para Meta, fico com duas impressões.

— O futuro que só víamos nos filmes vem aí; é inevitável, com Facebook ou sem Facebook.

— O discurso de Mark Zuckerberg é igualzinho àquele que serviu de base ao Facebook. Bonito de ouvir, difícil de implementar, pois levaria a mudanças radicais ao seu modelo de negócio, das quais o Facebook, Meta, whatever, não abdica nunca.

Não obstante, todas as polémicas em torno do Facebook nos últimos anos e mais flagrantes recentemente (Facebook papers), o que é certo é que, estrategicamente, o Facebook/Meta segue com o seu objectivo dominante com um poder enormíssimo logo no início da corrida pelo domínio do Metaverso.

Mark Zuckerberg está a iniciar a criação do seu metaverso e não o Metaverso em si, que, esse sim, é do domínio público e não pode, nem deve, ser corporativo.

O meta problema aqui é que o mensageiro desta mensagem, infelizmente — para ele e para o Meta — carece da credibilidade e autoridade moral necessárias para que tudo isso não seja entendido de forma legível pelo serviço superficial que foi.

Agora, honestamente, acreditam que Mark Zuckerberg conquistou o “eleitorado” pela visão DO SEU metaverso?

Mark escolheu o nome Meta por significar ‘para além de’, em grego. Mas não é só. Eu vejo aqui uma estratégia dominante, principalmente no campo do Metaverso. Portanto, o nome que vem substituir a empresa Facebook não foi escolhido de forma inocente!

Com esta estratégia, além de ter redireccionado as atenções, dando de certa forma uma folga ao Facebook, Mark quer posicionar-se imediatamente no topo da corrida ao Metaverso com a sua nova Meta.

William Gibson cunhou o termo Cyberspace, no seu conto Burning Chrome, para posteriormente popularizar o conceito no seu romance Neuromancer em 1984.

A Internet, apesar de ter embrionado em 1969, mais precisamente a 29 de Outubro de 1969, com o nascimento da ARPANET, só nos anos ’90 é que começou a ser conhecida.

A Internet não tem dono, por assim dizer; mas, naturalmente, após 30 anos de World Wide Web, muita regulamentação foi criada. Mas, ainda assim, continua a não ter dono; ou melhor, tem dono sim. No coletivo, o mundo inteiro, mesmo aquelas pessoas que ainda não têm acesso à Internet, são também donas da Internet.

Donald Trump que não se iluda que pode desligar a Internet com um simples telefonema ao Bill Gates. Sim, Trump julgava que o dono da Internet era o Bill Gates.

Nada contra a iliteracia informática de grandes nomes do mundo empresarial — naturalmente que não têm de saber tudo —, já não poderei dizer o mesmo quando se trata de alguém que pode prejudicar directamente a vida de milhões de pessoas por falta de conhecimento ou aconselhamento tecnológico.

O que não é tão do conhecimento do público em geral é o agora Metaverso. Contudo, a história repete-se. O termo Metaverso também nasceu da mente de um escritor de ficção científica.

Foi em 1992 que Neal Stephenson cunhou o termo ‘Metaverse’ no seu romance ‘Nevasca’, à semelhança de William Gibson com o Ciberespaço.

“Mark Zuckerberg controla unilateralmente três mil milhões de pessoas”, avisa Frances Haugen, a ex-funcionária do Facebook que se define como especialista em algoritmos, e que trabalhou em diversos gigantes da tecnologia antes de chegar ao Facebook, tais como o Google, Hinge, Yelp e a rede Pinterest. Portanto, ela sabe do que fala.

Atendendo à alegada gravidade das práticas algorítmicas da rede, decidiu denunciar o Facebook, quase em jeito de Karma. Desta vez quem levou com a “régua da escola primária” (Report) foi o construtor da mesma.

É o algoritmo humano versus o “algoritmo Mark-1”.

Haugen ainda disse recentemente que Mark Zuckerberg deveria focar-se em resolver os problemas graves que tem nas suas redes, que, segundo ela, prejudicam milhões de utilizadores, em vez de se concentrar em… jogos de vídeo!

Esta afirmação só denota que esta ex-funcionário do Facebook vê Mark como o boneco que ele projectou no lançamento do Meta, na demonstração do seu futuro metaverso.

Na minha opinião, a rede social Facebook e subsequente “Metaverso do Mark”, podem ser tão perigosos quanto úteis e que, portanto, devem ser controlados.

“É um futuro que está além de qualquer empresa e será feito por todos nós”, são estas as palavras que Zuckerberg usa para mostrar remissão de todo o domínio adquirido.

O Mark é muito fofinho quando finge que se importa…!
Da mesma maneira que a Internet, vulgo Ciberespaço, é de todos e de ninguém, o Metaverso também.
Já o Meta, bem o Meta é o filho invertido do Facebook. Uma espécie de filho-pai adoptado de si mesmo!

Nota: Este artigo não obedece, propositadamente, ao Novo Acordo Ortográfico.

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Empreendedor, Programador e Analista de Sistemas, Henrique Jorge é o fundador e CEO da ETER9, uma rede social que conta com a Inteligência Artificial como elemento central, e que atualmente está em fase BETA.

Desde sempre ligado ao mundo da tecnologia, esteve presente no início da revolução da Internet e ficou conhecido pela introdução da Internet e das tecnologias que lhe estão associadas em Portugal, sendo um dos pioneiros nessa área.

Passando por vários episódios de desconstrução e exploração das linguagens dos computadores, chegou à criação da rede social ETER9, um projeto que tem conhecido projeção internacional, e que ambiciona ser muito mais que uma simples rede social. Através de Inteligência Artificial (IA) pretende construir a ponte entre o digital e o orgânico, permitindo a todos deixar um legado digital ativo no ciberespaço, inclusive pela eternidade. Fora do espaço virtual, é casado, pai de duas filhas, e “devora” livros.


Henrique Jorge

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